Oficina de ligação e referência · 16 min de leitura

Coesão na redação do Enem: conectivos, retomadas e revisão do argumento

Aprenda a ligar frases e parágrafos, escolher conectivos pela relação lógica, eliminar referências ambíguas e revisar um trecho completo de redação.

WhatsApp
Mais opções
FacebookTelegramE-mail

Coesão é fazer o leitor acompanhar quem está em discussão e como uma ideia leva à seguinte. Uma lista de conectivos não resolve uma relação mal construída.

Em uma linha

Primeiro estabeleça a relação entre as ideias; depois escolha o conectivo e confira a que cada retomada se refere.

Cadeia autoral entre atendimento exclusivamente digital, barreira de acesso e manutenção de canais presenciais.
Imagem: enem.co · Ampliar diagrama
Ir direto a uma parte do guia

Uma redação coesa permite acompanhar a relação e o referente

Para melhorar a coesão da redação, faça duas perguntas em cada passagem: a que esta palavra se refere e qual relação liga esta ideia à anterior? A primeira pergunta resolve retomadas como “isso”, “eles” e “esse problema”. A segunda resolve escolhas como “porém”, “porque” e “portanto”. O texto fica mais claro quando o leitor encontra essas respostas sem adivinhar.

A página oficial da Cartilha de Redação do Enem 2026 afirma que o participante deve selecionar, organizar e relacionar argumentos e fatos com coerência e coesão para defender um ponto de vista. A orientação não se resume a colocar expressões sofisticadas entre frases. É necessário que a ligação ajude a construir uma unidade de sentido.

Exemplo autoral: “O atendimento foi transferido para um aplicativo. Porém, pessoas sem acesso à internet podem encontrar dificuldades”. O contraste anunciado por “porém” fica pouco explicado, porque a primeira frase não apresenta uma vantagem ou expectativa que a segunda limite. Podemos escrever “Embora o aplicativo facilite algumas solicitações, o atendimento exclusivamente digital pode criar barreiras para quem não tem acesso à internet”. Agora o benefício e seu limite estão explícitos.

Todos os trechos e temas de treino desta página são autorais e hipotéticos. As reescritas são sugestões de estudo, não modelos oficiais nem textos associados a uma nota. O objetivo é aprender a construir relações que possam ser usadas em temas diferentes.

Coesão e coerência se ajudam, mas não são a mesma coisa

Coesão diz respeito às ligações entre os elementos do texto. Coerência envolve a possibilidade de construir um sentido consistente a partir do que foi dito, da situação e dos conhecimentos mobilizados. O Glossário Ceale/UFMG explica a coesão como encadeamento entre segmentos e relaciona essa continuidade à unidade do texto.

É possível escrever “O município reduziu o número de ônibus. Portanto, os passageiros passaram a ter mais opções de horário”. Há um conector, mas falta uma explicação capaz de sustentar a conclusão. Talvez as linhas tenham sido reorganizadas de alguma maneira, mas o trecho não informa isso. “Portanto” não cria a causa que não foi desenvolvida.

Também é possível ter uma relação compreensível com uma ligação pouco clara: “Faltam equipamentos. Os estudantes não acompanham as atividades. A escola precisa mudar”. O leitor pode imaginar uma cadeia causal, mas precisa preencher muitas lacunas. Quais equipamentos faltam? Que atividades dependem deles? Que mudança responde ao problema? A revisão melhora o conteúdo e a sua articulação ao mesmo tempo.

Quando um trecho parece travado, não procure primeiro um sinônimo de conectivo. Explique em linguagem simples a relação pretendida. Se você não consegue dizer “essa condição dificulta tal ação porque...”, a dificuldade pode estar no argumento. Depois de completar o mecanismo, as palavras de ligação encontram uma função.

Escolha o conectivo pelo que acontece entre as ideias

Essas famílias orientam escolhas, mas não funcionam como gavetas fechadas de palavras intercambiáveis. “Assim” pode retomar um modo de execução ou introduzir uma conclusão. “Pois” pode ter função explicativa ou conclusiva conforme a posição e a construção. O sentido vem do encontro entre expressão e frase, não de uma etiqueta decorada.

Antes de escolher, escreva a relação por extenso. Exemplo autoral: “O formulário exige conexão estável. A conexão instável pode impedir a conclusão do pedido”. Se você quer destacar a causa, pode escrever “O pedido pode não ser concluído porque o formulário exige uma conexão estável”. Se quer apresentar a consequência, escreva “O formulário exige conexão estável; por isso, uma conexão instável pode impedir a conclusão do pedido”.

Não troque “por isso” por “além disso” apenas para variar. A segunda expressão apresentaria uma soma de informações e deixaria a causalidade menos explícita. A variedade de recursos é útil quando preserva relações; mudar palavras sem controlar o sentido pode enfraquecer uma passagem que já funcionava.

Algumas palavras também exigem construções diferentes. “Embora” costuma introduzir uma oração com verbo no subjuntivo, como “embora o serviço ofereça vantagens”. “Apesar de” pode ser seguido de nome ou de infinitivo, como “apesar das vantagens” ou “apesar de oferecer vantagens”. A troca pede revisar a frase inteira, não apenas substituir a primeira expressão.

  • Adição: além disso, também, ainda. Acrescentam uma informação que participa da mesma direção argumentativa.
  • Contraste: porém, entretanto, no entanto. Apresentam oposição ou limite em relação ao que veio antes.
  • Causa ou explicação: porque, pois, uma vez que. Introduzem uma razão, conforme a construção e o contexto.
  • Consequência ou conclusão: por isso, portanto, desse modo. Indicam resultado ou inferência sustentada pelo raciocínio.
  • Concessão: embora, ainda que, mesmo que. Reconhecem uma condição que poderia criar expectativa contrária ao argumento.
  • Finalidade: para que, a fim de, com o objetivo de. Indicam o que uma ação busca alcançar.

Contraste e concessão: reconheça a expectativa que está sendo limitada

Contraste aproxima ideias em tensão. Concessão reconhece uma condição que poderia favorecer uma conclusão, mas mostra por que ela não é suficiente. Exemplo autoral: “O serviço ganhou uma versão digital, mas manteve o atendimento presencial”. Há contraste entre duas escolhas que podem ser vistas como alternativas, sem que uma precise invalidar a outra.

Agora escreva “Embora a versão digital facilite o acesso de parte do público, a manutenção de canais presenciais continua necessária para atender pessoas com dificuldades de conexão”. A primeira parte reconhece um benefício; a segunda delimita o que esse benefício não resolve. Essa construção evita transformar o debate em uma escolha absoluta entre tecnologia e atendimento presencial.

Uma concessão útil desenvolve a condição reconhecida. “Embora tudo seja importante, o problema é grave” não identifica uma expectativa concreta. O leitor encontra uma palavra de concessão, mas nenhuma tensão explicada. É melhor nomear o benefício, o obstáculo ou a circunstância que seu argumento precisa considerar.

Use esse recurso quando houver um contraponto pertinente. Não acrescente uma concessão apenas para parecer equilibrado. Ela precisa contribuir para o raciocínio e preservar sua tese. Se você admite que uma medida resolve totalmente o problema e logo depois defende que ela é insuficiente, precisa esclarecer qual parte da afirmação é verdadeira e qual limite permanece.

Retomadas: quem são eles, o que é isso e qual é o problema?

Pronomes e expressões de retomada economizam repetição, mas devem permitir identificar um referente. Em “A escola conversou com as famílias, mas elas não entenderam sua proposta”, “elas” provavelmente retoma as famílias, enquanto “sua” pode deixar dúvida sobre a quem pertence a proposta. A reescrita “As famílias não entenderam a proposta apresentada pela escola” resolve o ponto.

Exemplo autoral: “As equipes explicaram os procedimentos aos usuários porque eles eram complexos”. O pronome “eles” pode apontar para os procedimentos, mas está próximo de usuários. Para não depender da boa vontade do leitor, escreva “As equipes explicaram aos usuários os procedimentos, cuja complexidade exigia orientação”. Outra possibilidade, mais direta, é “Como os procedimentos eram complexos, as equipes orientaram os usuários”.

“Isso” pode retomar uma situação inteira, mas seu alcance precisa ser claro. “O aplicativo falhou, a equipe estava reduzida e os pedidos se acumularam. Isso precisa mudar” reúne três problemas em uma retomada vaga. Se a intervenção vai aumentar a equipe, nomeie “a insuficiência de pessoal”. Se vai corrigir o aplicativo, nomeie “as falhas do sistema”.

Uma retomada específica também faz o argumento avançar. “Essa dependência exclusiva da internet” condensa uma condição explicada antes e já informa o que está em discussão. “Essa situação”, sem mais precisão, pode obrigar o leitor a voltar várias frases. Escolha uma expressão que reconstrua o trecho relevante, sem acrescentar uma avaliação que ainda não foi sustentada.

Repetir um termo pode ser melhor que inventar um sinônimo impreciso

A coesão também aparece na continuidade do vocabulário. Um texto sobre acesso a serviços pode retomar “canais presenciais” por “essas formas de atendimento”, se o contexto permitir. A expressão mais ampla funciona porque inclui o que já foi apresentado. Ela não funciona se passar a incluir canais que não fazem parte do argumento.

Não troque “estudantes” por “cidadãos”, “população” e “brasileiros” em todas as frases apenas para evitar repetição. Esses grupos têm extensões diferentes. Se a afirmação se refere especificamente a estudantes de uma escola, chamar o grupo de “toda a população” pode produzir uma generalização indevida.

Também há termos técnicos cujo sentido se perde com sinônimos aproximados. Em um debate sobre deficiência, “acessibilidade” não é sempre equivalente a “facilidade”. A primeira envolve condições para participação e uso por diferentes pessoas; a segunda pode apenas indicar conveniência. Uma repetição controlada preserva o recorte quando a alternativa lexical alteraria o assunto.

Revise repetições pela função. A mesma palavra aparece porque mantém o referente, porque o texto insiste desnecessariamente ou porque falta desenvolvimento? No primeiro caso, pode permanecer. No segundo, elimine redundância. No terceiro, acrescente uma nova relação em vez de maquiar a repetição com palavras diferentes. O problema de um parágrafo que repete a tese cinco vezes é a falta de avanço, mesmo com cinco sinônimos.

Coesão entre parágrafos: a ponte precisa carregar uma ideia

Um parágrafo deve ter uma função na defesa da tese. O seguinte precisa continuar, acrescentar, contrastar ou aprofundar essa função. Começar todo desenvolvimento com “Além disso” não organiza automaticamente o texto. A expressão promete soma, mas o leitor precisa saber o que está sendo acrescentado e como a informação participa do problema.

Exemplo autoral de passagem: o primeiro parágrafo explica a falta de conexão como barreira ao uso de um serviço digital. O segundo pode começar “Além da dificuldade de conexão, a complexidade do formulário pode impedir que alguns usuários concluam o pedido”. A nova abertura retoma o primeiro obstáculo e apresenta outro, com precisão.

Se o segundo parágrafo examina uma consequência do primeiro, outra ponte é mais adequada: “Essa dificuldade de acesso pode produzir um efeito adicional: o acúmulo de solicitações não concluídas”. O trecho não apenas anuncia sequência; mostra que o efeito depende da condição já discutida. Depois é necessário explicar o mecanismo, em vez de deixar a relação no título da frase.

Você também pode usar continuidade lexical sem um conectivo inicial. “A orientação oferecida no atendimento presencial torna-se relevante nesse cenário” retoma o cenário e apresenta uma resposta. O importante é que a passagem seja compreensível. Um texto pode combinar conectores, retomadas e encadeamento de informações, em vez de repetir a mesma abertura.

Oficina completa: um trecho com ligação aparente e argumento frágil

O trecho contém cinco expressões de ligação, mas continua frágil. “Além disso” acrescenta a falta de internet sem ligar esse dado ao funcionamento do serviço. “Portanto” transforma falta de acesso em falta de compreensão, embora sejam problemas diferentes. Uma pessoa pode entender o sistema e não ter conexão para usá-lo.

“Essa situação” não esclarece se retoma a falta de internet, o desconhecimento do sistema ou uma soma dos dois. “Porque os órgãos públicos devem agir” não explica por que a situação é prejudicial; apresenta uma obrigação sem mecanismo. “Conscientizar a população” não resolve automaticamente a ausência de conexão. A conclusão propõe uma resposta que não enfrenta a causa descrita.

Essas falhas pedem mais que trocar conectivos. Primeiro delimite a tese: no cenário hipotético, a oferta exclusivamente digital pode dificultar o acesso de quem não possui conexão. Depois explique a consequência: essa pessoa pode deixar de concluir uma solicitação. Por fim, proponha uma ação coerente, como manter canais alternativos de atendimento.

A revisão preserva o que é útil, elimina a passagem indevida de acesso para compreensão e nomeia o problema. É um trabalho de ligação e de conteúdo: a coesão ajuda a tornar visível a relação que o argumento precisa desenvolver.

O mesmo trecho reescrito, com cada ligação explicada

“Embora” reconhece uma vantagem e abre espaço para seu limite. “Quando” explicita a condição sob a qual a barreira acontece, evitando dizer que todo serviço digital tem o mesmo funcionamento. “Essas pessoas” retoma os usuários sem acesso estável à internet. A proximidade entre a apresentação do grupo e a retomada facilita a identificação.

“Essa dependência de um único canal” resume a exclusividade digital e a avalia como uma limitação já explicada. “Por isso” liga o diagnóstico à necessidade de alternativas. “Para que” apresenta a finalidade da ação: impedir que a ausência de conexão bloqueie o atendimento. Cada recurso faz um trabalho específico.

A reescrita também mostra um limite: ela é um trecho de treino, não uma redação completa. Uma versão desenvolvida precisaria considerar o tema exato, o recorte, o argumento restante e a viabilidade da intervenção. Você não pode copiar o trecho para qualquer proposta apenas porque ele está bem ligado.

O exercício revela o que revisar em seu próprio texto. Se um conector promete causa, encontre a causa. Se anuncia consequência, confira se ela decorre do que foi apresentado. Se retoma uma situação, diga qual. Se propõe ação, verifique se o alvo da ação corresponde ao problema efetivamente discutido.

Pontuação e tamanho da frase também controlam as ligações

Períodos muito longos podem acumular sujeitos, retomadas e relações até o leitor perder o fio. Exemplo autoral: “A escola ofereceu orientação aos estudantes que não tinham acesso ao sistema e eles relataram dificuldades que ela tentou resolver porque isso impedia a inscrição”. Quem tentou resolver? A que “isso” se refere? A frase pode ser reorganizada sem abandonar suas ideias.

Uma reescrita possível é “Os estudantes sem acesso ao sistema receberam orientação da escola. Durante o atendimento, relataram dificuldades para concluir a inscrição. A equipe escolar procurou resolver esses obstáculos”. O sujeito e o referente ficam próximos de cada ação. Se a causa específica das dificuldades for importante, acrescente-a de modo claro, em vez de deixá-la escondida no pronome.

Dividir uma frase não significa picotar o texto em sentenças sem relação. É preciso conservar a continuidade por vocabulário, retomadas e conexões necessárias. Ao contrário, manter uma frase extensa só para parecer formal pode aumentar ambiguidade e dificultar a revisão de concordância e pontuação.

Observe também construções paralelas. “A medida busca ampliar o acesso e que os usuários sejam orientados” mistura duas formas. Podemos escrever “A medida busca ampliar o acesso e oferecer orientação aos usuários”. As duas ações ficam organizadas sob a mesma estrutura. O leitor reconhece melhor o que a medida pretende fazer.

A conclusão deve retomar o diagnóstico sem apenas repetir a introdução

A ligação da conclusão com o desenvolvimento exige reconhecer o problema que foi explicado. Se o texto mostrou uma barreira de conexão, a proposta precisa atuar sobre acesso ou alternativas. Se mostrou falta de orientação, a ação precisa enfrentar esse obstáculo. Uma expressão como “diante disso” não resolve uma intervenção que nasceu de outro assunto.

Exemplo autoral: “Diante da dependência de um canal exclusivamente digital, o órgão responsável deve manter atendimento alternativo”. A retomada delimita a causa. Depois você desenvolve como a alternativa funciona e que finalidade busca. A proposta permanece ligada ao raciocínio em vez de surgir como uma solução genérica no último parágrafo.

A página oficial da Cartilha 2026 orienta a elaboração de uma proposta de intervenção social para o problema apresentado no desenvolvimento, com respeito aos direitos humanos. Essa relação entre problema discutido e proposta deve orientar a revisão. A organização detalhada de uma intervenção depende do tema e do que o argumento demonstrou.

Evite repetir a tese inteira sem acrescentar a resposta. A conclusão pode recuperar a lógica com uma expressão específica e avançar para uma ação. A retomada cumpre uma função: mostra ao leitor que o texto chegou a uma consequência ou encaminhamento construído ao longo dos parágrafos.

Três testes de revisão que mostram o erro antes de buscar outro conectivo

Teste autoral 1: “O atendimento presencial foi reduzido. Além disso, alguns usuários precisam viajar mais para obter orientação”. Se a segunda frase descreve uma consequência da primeira no cenário discutido, “por isso” ou “como consequência” pode explicitar melhor a relação. Mas a causalidade precisa estar sustentada: houve fechamento de unidades próximas, por exemplo? Sem essa condição, o conector apenas afirma uma ligação não explicada.

Teste autoral 2: “O professor conversou com o estudante sobre seu trabalho”. Se o trabalho pertence ao estudante, escreva “O professor conversou com o estudante sobre o trabalho apresentado por ele” ou, com maior proximidade, “O estudante apresentou um trabalho, e o professor conversou com ele sobre a produção”. Escolha a versão que preserve a informação central e elimine a ambiguidade de “seu”.

Teste autoral 3: “A biblioteca oferece livros, entretanto permite o empréstimo”. Não há contraste evidente entre oferecer livros e permitir empréstimo. Pode haver adição: “A biblioteca oferece livros e permite seu empréstimo”. Se o argumento pretende um contraste, falta uma informação, como “A biblioteca oferece livros, mas restringe o empréstimo a poucos exemplares”. A correção depende da ideia pretendida.

Esses testes distinguem três causas de dificuldade: relação lógica inadequada, referente incerto e expectativa ausente. Treine a causa do seu erro. Decorar uma lista maior de conectivos pode aumentar as opções de palavras, mas não substitui construir essas três relações.

Uma revisão em camadas para aplicar ao seu rascunho

Esse roteiro é uma sugestão de estudo. Na preparação, aplique uma camada por vez para aprender a reconhecer seus padrões. Durante a produção de uma redação, reserve uma revisão compatível com o tempo disponível. A prioridade é localizar relações quebradas e referências ambíguas, sem trocar palavras que já funcionam apenas para dar aparência de sofisticação.

Uma boa evidência de avanço é explicar por que a nova versão permite uma leitura mais precisa. “Troquei porém por portanto” é um registro incompleto. “A segunda frase é consequência da primeira, e acrescentei a condição que produz esse efeito” mostra a correção do raciocínio. Coesão se aprende quando a ligação passa a fazer sentido, e não quando a quantidade de expressões aumenta.

  • Leia só o argumento: cada parágrafo acrescenta uma razão ou consequência pertinente à tese?
  • Circule retomadas: indique por escrito o referente de isso, esse, ele, seu e expressões semelhantes.
  • Marque conectivos: nomeie a relação que cada um anuncia e confira se as duas partes a sustentam.
  • Examine as passagens entre parágrafos: a abertura retoma uma ideia e apresenta o próximo avanço?
  • Confira a conclusão: a ação responde ao diagnóstico efetivamente desenvolvido?
  • Leia as frases em voz baixa: divida períodos que acumulam sujeitos ou relações difíceis de acompanhar.
Seu próximo movimento

Escolha um desenvolvimento seu e marque todos os conectivos e retomadas. Reescreva uma passagem indicando a relação lógica e o referente que ficaram mais claros.

WhatsApp
Mais opções
FacebookTelegramE-mail